Um discovery guiado por evidência de campo.
O Inspect é o produto de inspeções de segurança industrial da Cesla, empresa de software de segurança industrial onde atuei como Product Designer e UX Research. Cobre equipamentos, áreas, rondas semanais, hidrantes e extintores em grandes plantas. O projeto foi um discovery conduzido in loco em três clientes reais de setores distintos, para mapear as limitações do sistema legado e orientar a construção da nova solução.

A pesquisa revelou um problema central e crítico: no sistema legado, apenas cerca de 25% das inspeções mensais eram salvas com sucesso em um dos clientes, devido a falhas de sincronização.
A partir de personas, jornadas e uma matriz de priorização estratégica, transformei as dores de campo em um roadmap claro de evolução, conectando a descoberta à definição da nova versão do Inspect.
das inspeções mensais salvas no sistema legado
clientes industriais pesquisados in loco
personas com maturidades digitais distintas
O entrave não era a interface, era a confiança no sistema.
Antes do Inspect, as inspeções eram feitas em papel e depois transcritas para planilhas: o chamado “dois trabalhos”. O sistema legado trouxe ganhos reais, com uma inspeção de 150 itens caindo de cerca de 4 horas para 2h30, mas carregava criticidades que corroíam a confiança dos usuários.
Sincronização instável
A falha mais crítica: em uma inspeção mensal de extintores, apenas 25% dos registros foram salvos. A sincronização bloqueava o fluxo por não rodar em segundo plano.
Workarounds perigosos
Para não perder dados, inspetores, inclusive terceirizados, voltavam a inspecionar no papel e transcreviam depois, reintroduzindo o retrabalho que a ferramenta deveria eliminar.
Atrito no dia a dia
Nomenclaturas confusas de setores, fotos repetitivas mesmo sem avarias, preenchimento manual de campos já cadastrados, ausência de notificações e favoritos e login cruzado no iOS.
Falta de maturidade digital
Times novos patinavam no aprendizado, e o desejo de sair 100% do papel esbarrava na falta de agilidade e de treinamento: um fator tão determinante para a adoção quanto a própria estabilidade do produto.
Discovery conduzido de ponta a ponta.
Atuei como Product Designer e UX Research Lead no discovery do Inspect, da pesquisa em campo à tradução dos insights em direção de produto.
Pesquisa de campo
Liderança da pesquisa qualitativa in loco em três clientes reais, com observação contextual e entrevistas com técnicos, operadores, analistas e inspetores terceirizados.
Análise e triangulação
Cruzamento de tickets de suporte, entrevistas, workshops, pesquisas de usabilidade e reuniões com clientes, garantindo evidência e rastreabilidade a cada insight.
Personas e jornadas
Definição de personas e jornadas de usuário, validando perfis com diferentes níveis de maturidade digital.
Priorização e roadmap
Facilitação de workshop interno com Matriz de Impacto x Frequência e tradução dos insights em recomendações estratégicas para o roadmap.
Objetivos do projeto
Diagnosticar o sistema legado para entender o que limitava a adoção e a confiança dos usuários.
Restaurar a confiança do usuário, resolvendo a instabilidade de sincronização e a perda de dados.
Eliminar o retrabalho manual, acabando com o “papel primeiro, digital depois”.
Reduzir o atrito nas rotinas diárias: nomenclaturas, fotos, preenchimento repetitivo e favoritos.
Adequar o produto a diferentes níveis de maturidade digital, do operador ao supervisor.
Expandir o valor da nova solução para EPI, liberações de atividade de risco, relatórios e integrações.
Campo, triangulação, personas e priorização.
O processo partiu da observação do trabalho real e terminou em critérios objetivos de priorização, com rastreabilidade em cada etapa.


Imersão em campo
Pesquisa qualitativa in loco em três contextos distintos: uma indústria de médio porte com forte dependência da sincronização, uma multinacional de tecnologia com equipe madura e dores pontuais e uma grande empresa de bens de consumo com time novo, em retomada de uso.
Observação contextual
Acompanhamento do trabalho real, do operador de empilhadeira ao inspetor terceirizado de extintores, revelando atritos invisíveis em reuniões remotas.
Triangulação de dados
Cruzamento das observações com tickets de suporte, entrevistas e workshops, garantindo evidência e rastreabilidade para cada insight.
Personas e jornadas
Quatro personas com necessidades distintas: Técnico de Segurança (fluidez e confiabilidade), Operadora de Área (favoritos e agilidade), Supervisor (relatórios e dados estratégicos) e Inspetor Terceirizado (confiabilidade da sincronização).
Priorização estratégica
Workshop interno com Matriz de Impacto x Frequência, filtrando demandas por critérios objetivos e alinhando prioridades com stakeholders.
Estabilidade primeiro, atrito depois.
Cada recomendação nasceu de uma dor observada em campo e foi ordenada pelo impacto na confiança do usuário na ferramenta.
Prioridade máxima à confiabilidade da sincronização
A perda de dados era o maior gerador de desconfiança e retrabalho. A recomendação central foi garantir sincronização robusta, em segundo plano e offline-first, para que o fluxo nunca bloqueie o usuário em campo.
Autopreenchimento de campos
Usuários reclamavam de preencher campos que já existiam no sistema. A decisão foi automatizar o preenchimento com dados já cadastrados, reduzindo erro e tempo.
Parametrização inteligente de nomenclaturas
Nomes repetidos de setores e subsetores geravam incerteza na localização. A solução foi revisar e parametrizar as nomenclaturas.
Favoritos e filtros inteligentes
Operadores repetiam a mesma busca todos os dias. Favoritar equipamentos e checklists frequentes acelera a rotina diária.
Fotos condicionadas a avarias
O tempo gasto com fotos repetitivas de extintores sem avaria era uma dor real. O registro fotográfico passou a ser condicionado à existência de avaria.
Relatórios customizáveis, integrações e expansão
Supervisores “arrumavam” relatórios no Excel. A decisão foi evoluir para relatórios flexíveis e planejar integrações com BI/ERP, além de expandir o valor para gestão de EPI e estoques, liberações de atividade de risco (APR) e QR Codes de identificação de equipamentos.
De percepção difusa a prioridade estratégica.
de inspeções salvas: a criticidade quantificada em campo
orientado por evidências e priorizado por impacto x frequência
personas e jornadas validadas em contextos reais de uso
Confiabilidade é mais importante que funcionalidade
Mesmo com a interface “OK”, a perda de dados destruía a confiança e levava a workarounds perigosos. Estabilidade é pré-requisito de adoção.
O campo revela o que o escritório esconde
Observar o inspetor que faz “papel primeiro” ou o operador que decora a ordem das perguntas revelou atritos que nenhuma reunião remota capturaria.
Perfis diferentes exigem prioridades diferentes
O que importa para o supervisor (relatórios e integração) não é o que importa para o operador (favoritos e agilidade). Personas distintas evitam decisões enviesadas.
Pesquisa de campo virando decisão estratégica de produto.
Ao identificar a confiabilidade da sincronização como o problema central, e não a interface, o discovery redirecionou os esforços da nova solução para onde o valor realmente estava: devolver ao técnico de campo a confiança de que seus dados não serão perdidos, e ao negócio, um produto mais aderente, seguro e escalável.
